Degustação

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Campo de Batalha - Móveis Coloniais de Acaju

Por Adriana Caitano
Leia ouvindo:


(Escolhi esta versão do vídeo, mesmo com menor qualidade, só por causa do que o vocalista André Gonzales diz no começo: "Essa música é sobre mudança. A gente vive num momento de mudança no país. E a gente acredita que ela está na gente e nós somos o eixo da revolução. É a partir da gente, da mudança na nossa vida, em caso, no trabalho, na cidade, que muda de fato. É nossa postura diante do nosso mundo que vai muar as coisas aqui")

(Letra da música no fim da postagem)

Eu amo estar alegre, ter coragem pra batalhar pelos meus sonhos, ajudar as pessoas, fazer com que os outros sonhem também. Amo a ideia de tentar ser um pontinho de luz no mundo. Mas tudo isso às vezes me dói também. Porque quando estou triste, com medo e pensando mais em mim, me sinto culpada. Essa música dos meus queridos conterrâneos do Móveis me ajuda a repensar esse sentimento.

Eles falam dessas necessidades e expectativas que se colocam sobre nós, sobre o que “temos” que ser. E de como se sentir na obrigação de ser tudo isso o tempo todo é uma bela besteira. Porque a vida não se faz das competições que ganhamos ou perdemos, das metas que batemos, das pessoas que superamos ou surpreendemos ou orgulhamos, mas do esforço que fazemos para vencer a nós mesmos.

“O campo de batalha sou eu”. Em mim estão as respostas e os recursos de que preciso para voar e fazer acontecer. Mas também é dentro de mim que estão as mais difíceis equações, os mais complicados teoremas, os mais assustadores obstáculos e o mais cruel dos inimigos. Pra que eu tenha paz, seja mais alegre, mais realizada, mais feliz, é minha guerra interna que tenho que vencer primeiro, todos os dias.

Eu digo precisando muito ouvir: qual o problema de ter medo de vez em quando? Ruim é se apegar a ele e deixá-lo me paralisar. O que tem de mal em demonstrar fraqueza às vezes? Ruim é usar isso pra se colocar como vítima da vida o tempo todo. Por que temos que ficar planejando o futuro a cada passo?  “Faz mal eu só querer viver o agora?”.

Como diz a música, sim, vão dizer que é impossível, sempre. É o que as pessoas mais sabem fazer. Elas apontam para nós dizendo que não vamos dar conta só pra não encararem a realidade de que elas não têm coragem de fazer a história delas acontecer. Mas o que temos que fazer mesmo é “seguir rumo ao norte”, rumo ao sentido de nossas vidas. Vencendo sempre nossa batalha interna, sem medo de ter medo. Ele tem muito a nos ensinar.

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Você deve ser
Sempre forte
Você deve ser
Só coragem
Se todo mundo diz que é assim
Será que então posso chorar só um pouquinho?

Você tem que pensar
Nas pessoas
Você tem que firmar
Pensamento

Se todo mundo diz que é assim
Às vezes sinto medo
E medo, pode

Eu, o campo de batalha sou eu
A culpa que me espera morreu
Meu corpo é onde a luta viveu
Meu campo de batalha sou eu

Bondade é combater ilusão
Beleza é abraçar contradição
Verdade, não te encontro tão só

Você pode ser
Infinito
Nem sempre vai saber
Do futuro
Se todo mundo diz que é assim
Faz mal eu só querer viver o agora?

Sei que vão dizer
Ser impossível
Que outro dia vai nascer
Corrompido
Se todo mundo diz que é assim
Melhor eu inventar um mundo novo

Eu, o campo de batalha sou eu
Nasceu do medo e foi campeão
Verdade não me traz solidão
O amor vem sempre junto

Você vai ser
Infinito
Mas também vai ser
Só um instante
Você vai seguir
Sempre forte
Rumo ao norte

2 comentários:

  1. sensacional análise!!!! me familiarizei com essa música desde quando ouvi a primeira vez o De Lá Até Aqui, acho que tem muito a ver com o momento que eu estou passando, de transição, perspectiva pro futuro....gosto muito de Móveis e nessa música eles se superaram....abraços!!!!

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  2. essa letra é incrível! é uma análise interna de cada ser humano: aquele que sente medo, insegurança, e continua assim mesmo, vai com medo mesmo! É tocando e parece uma oração, daquelas bem íntimas, que se faz só com o pensamento!

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